O ANIMAL QUE HABITA EM NÓS
O animal habita o Homem desde o paleolítico, a sua iconografia percorreu milénios de imaginação humana. Desde a gravura/pintura na pedra ao presente, nas mais variadas vertentes das artes plásticas, publicidade e outros, o Homem utilizou e continua a utilizar o animal como manifestação simbólica/metafórica, espelhando traços específicos do comportamento humano. Ilustrações de Grandville, expressavam metaforicamente o carácter do Homem, Berger afirma: “os animais não são usados como metáforas morais, mas usados em massa como se fossem humanos”.
Do grafismo minimalista, aos traçados de excepcional pormenor e sensibilidade artística, policromia de vermelhos, ocres, preto, dada por sombreamentos-esfumados, num claro/escuro para incutir, realidade e volumetria. Pigmentos encontrados em minerais (hematie, dióxido de manganês, fosfato de cálcio, misturados com carvão, ossos carbonizados e rezinas vegetais, aglutinados com clara de ovo, sangue, gordura e excrementos animal para fixar a cor.
Precisamos continuar a estudar sobre as representações deste longo período onde se forjou a nossa identidade humana, física, emocional, social, cultural, compreender se os “artistas” que produziram estes animais, continuam a reflectir os mesmos anseios, simbólicos de outrora. Decerto que, ontem como hoje, o homem continua a utilizar o animal com os mesmos fins simbólicos, como se permanecêssemos no paleolítico!
Certamente que continuam símbolo da expressão artística do Homem e a existir nas profundezas do nosso inconsciente colectivo.
Nestas obras não se pretende que os animais mimetizem memórias ancestrais, mas transcendê-los, reinventá-los numa outra imagética, evoluindo para uma nova expressão pictórica.
A artista escreve de acordo com a antiga ortografia
Teresa Ribeiro 9-2026











































